25 de abr de 2010

2ª Série - A Escravidão

No último texto estudamos o “Descobrimento do Brasil” e o início do processo de colonização de nosso país. Verificamos que inicialmente Portugal não deu muita importância para as terras americanas de seu Império, apenas cerca de trinta anos após o descobrimento alguma política de imigração começou a ser pensada e estruturada. O Brasil precisava ser colonizado senão outros países tomariam suas terras! Dentro dessa perspectiva as grandes plantações de cana-de-açúcar foram a maneira escolhida para a expansão da Colônia e o Governo Geral tratou de apoiar tal empreendimento por todo o nordeste brasileiro: Como sabemos, o açúcar era um produto bastante caro para a época e não era produzido na Europa pelo fato da cana necessitar de climas tropicais para se desenvolver.
A principal força de trabalho empregada nessas plantações e no processo de fabricação do açúcar era formada por escravos, inicialmente indígenas, depois, africanos. Nesse texto iremos estudar essas escravidões e seu papel na formação de nosso país. Boa Leitura =).


A Escravidão Indígena X Africana

Ao chegar ao Brasil, os Portugueses logo fazem uso do trabalho indígena, inicialmente por meio de escambo: troca de serviço por quinquilharias que os índios não tinham acesso, como espelhos, miçangas, louças entre outras coisas; após esse contato inicial, os índios começam a ser aprisionados e escravizados. Logo nos fins do século XVI sua força de trabalho começa a ser substituída por africanos. Por que isso ocorre?
Começa-se a divulgar a ideia de que o índio seria menos capaz que o africano, que ele era mais propenso a se rebelar e a fugir do que o negro, a igreja que inicialmente apoia a escravidão dessa gente sem alma, desses vassalos do diabo como eram considerados os nativos americanos. Agora afirma que eles devem ser catequizados: os descendentes de Cam (africanos) tem mais pecados sobre a terra que os de Jafé (índios), e esses devem pagar por esses pecados mediante seu trabalho Assim como o açúcar mascavo se livra das impurezas e se torna branco, o trabalho dos escravos os fará livrar se de seus pecados e os tornarão puros para a vida no paraíso.
Além dos argumentos que tangem ao comportamento indígena: pessoas menos propensas ao trabalho, fracas, fogem com mais facilidade por conhecerem o território; a questão da mão de obra africana tem relação com o lucro que Portugal obtinha com o comércio dos escravos. O índio era capturado por particulares, na maioria das vezes, já o escravo africano era capturado (ou adquirido) e vendido por Portugal. A venda desses escravos, portanto, gerava muito lucro para a coroa, coisa que a escravidão indígena não fazia.


O comércio de escravos

Portugal mantinha feitorias na África que eram postos avançados lusitanos naquele continente. Estes postos geralmente estabeleciam relações com algumas tribos que capturavam negros que outras origens e vendiam para os portugueses por preços bastante módicos. Após serem adquiridos na África esses escravos eram armazenados em prisões e ficavam a espera dos navios para efetuar o transporte. Nos navios eles eram amontoados e recebiam um tratamento desumano. Aqui, esta palavra deve ser entendida literalmente, pois aquelas pessoas eram consideradas objetos por parte dos portugueses, a esse processo: o de transformar em coisa uma pessoa, chamamos reificação.
No Brasil, após um tenebroso transporte, os sobreviventes eram vendidos em feiras. Os compradores tinham o cuidado de adquirir escravos de diferentes procedências, para evitar a comunicação entre eles e assim diminuir a possibilidade de revoltas. Nas lavouras e engenhos o trabalho era pesado, 18, 20 horas por dia, todo o tempo sendo vigiados pelo capataz, alimentação ruim, a noite eram amontoados e presos na senzala, para que quando o sol raiasse o trabalho mais uma vez fosse iniciado. Vida bem diferente da do Senhor do Engenho, dono da propriedade, residia na “Casa Grande”, como era conhecida, cercado de luxos, empregados e escravos domésticos.


A resistência

Apesar de toda a vigilância e severidade do senhor do engenho e dos capatazes, os escravos tinham suas estratégias de resistência à situação que se encontravam. Essas estratégias eram variadas e poderiam ser ou não ser violentas.
Os meios mais evidentes de resistência eram a fuga e as insurreições. Os escravos fugidos em alguns lugares do Brasil se juntavam em Quilombos, que eram agrupamentos escondidos de escravos (muitas vezes, além de escravos, os Quilombos abrigavam índios, soldados que fugiam do serviço militar, criminosos e mulatos). Entretanto a fuga deveria ser muito bem articulada, pois os escravos eram propriedade do senhor, e este não gostaria de perder seu investimento, desse modo os capitães do mato, contratados pelo dono das fazendas, iriam caçar o escravo fugido, se encontrado ele seria severamente punido.
Alguns escravos eram “banzos”. O banzo era aquele que simulava doença ou induzia ela para não trabalhar. Muitos eram os casos de escravos que comiam terra para ficarem doentes e então conseguirem um momento de descanso. Outros utilizavam-se da feitiçaria, para amedrontar seus donos se diziam feiticeiros, a religiosidade da época fazia com que alguns senhores acreditassem nesse tipo de coisa e os mandassem embora.
Outra situação é inversa, em alguns casos o escravo era tão bem adaptado ao seu senhor e a seus funcionários que já conhecia todas as “manhas” para “matar trabalho” ou conseguir aquilo que queria. Nesse caso era muito mais vantajoso para eles ficarem no lugar em que estavam do que serem vendidos para outros donos. Desse modo muitos deles se tornavam banzos, ou mesmo se auto-flagelavam para não gerar interesse nos compradores.


Permanência

A escravidão, como veremos em estudos posteriores, permanece na sociedade brasileira como uma mácula. A situação de pré-conceito e marginalização da população negra no Brasil ainda persiste por conta das consequências dos séculos onde os africanos foram escravizados e ideias da inferioridade da raça negra divulgadas. Apesar da Lei Áurea de 1888, que aboliu o trabalho forçado, essas populações não receberam nenhum tipo de apoio governamental para melhorar sua situação social. E deste modo permanecem até hoje sofrendo uma situação criada há mais de quatro séculos atrás.

Um comentário:

  1. professor,
    por que os portugueses ñ preferiram escravizar, fazer tráfico de índios? Já que podiam vender essa força de trabalho tanto no brasil como em outros países e continentes. Os índios eram mais vulneráveis de que os negros, tinham mais crendices, mais medo e aparentemente eram fortes.

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