18 de out de 2010

3ª série - Antecedentes da II Guerra Mundial (1ª parte II Guerra)




Com certeza a II Guerra Mundial é um dos eventos históricos que mais causam fascínio sobre as pessoas. Por toda a destruição que ela causou, por conta do conflito ter dimensões jamais vistas pela humanidade, a mídia e os historiadores exploraram e ainda exploram o tema a exaustão.

Quantos filmes Hollywood já produziu sobre a guerra? Quantos livros, revistas, matérias em jornais? Quantos sites já foram publicados sobre o tema? Quantas horas professores de história passaram falando aos seus alunos sobre Hitler, batalhas, fascismo e tantas outras coisas?

Tudo isto contribui para tornar a guerra um tema muito caro para muita gente. Entretanto, apesar de toda esta produção, a discussão que a mídia elabora em torno do tema é geralmente muito rasa. Mmuito pouco se fala sobre as causas da guerra, muito pouco se discute questões centrais e que são de extrema importância ainda nos dias atuais. Portanto, este é meu humilde e difícil objetivo aqui, levantar alguns pontos centrais de discussão a respeito da II Guerra para que o entendimento do tema se dê de uma maneira mais ampla e significativa. Assim sendo, vamos lá!



Inicialmente devo considerar que alguns historiadores, entre eles o grande Eric Hobsbawn, consideram que não houveram duas guerras, e sim, apenas uma grande guerra com dois períodos de conflitos (1914-1918 e 1939-1945). Tal consideração se deve ao fato dos termos que fizeram parte do Tratado de Versalhes¹ darem condições para que a II Guerra aconteça. As penalizações que a Alemanha sofreu fizeram com que surgisse um sentimento de revanche na população, sentimento este que foi muito bem manipulado politicamente, como veremos adiante.

Com o fim da I Guerra, em 1918 a Europa inicia uma fase de profunda crise. Todos os países que se envolveram na guerra sofrem vários danos e tem que se reconstruir. Até então nunca a humanidade havia assistido a um conflito daquelas proporções. Muitos dos soldados que se alistaram em 1914 esperavam que as batalhas durassem poucos meses, talvez semanas. Jamais se pensou que tantas mortes e destruição pudessem ocorrer. Ao contrário do que todos imaginavam as destruições e mortes ocorreram causando um profundo abalo nos ânimos e economia européias.
Os países que mais sofreram este abalo foram os envolvidos na Tríplice Aliança, e entre eles, principalmente a Alemanha, que foi culpabilizada pelo início da guerra. Historicamente a Alemanha já era um país atrasado devido a sua unificação tardia e ao atraso na corrida imperialista (temas já estudados). Além deste atraso “histórico”, foi imposto a Alemanha a instauração de uma república após o fim dos conflitos, este novo governo ficou conhecido como Reública de Weimar.

A administração da Alemanha não era tarefa fácil, era preciso reconstruir o país e pagar todas as indenizações aos países vitoriosos que ficaram estabelecidas no Tratado de Versalhes. Além disto era necessário esmagar as facções extremistas de direita e esquerda que faziam sucessivos atentados.

A Alemanha se vê imersa numa crise política e econômica que encontra seu auge em 1923, quando tropas franco-belgas invadem o vale do Ruhr com a intenção de garantir o fornecimento de carvão, considerado uma dívida de guerra. A economia entra em colapso, a inflação foge ao controle, os preços subiam vertiginosamente. A mudança de valor da moeda era tamanha que os trabalhadores (aqueles que ainda não haviam perdido seus empregos) tratavam de gastar todo o seu salário no dia que recebiam, pois se esperassem apenas um dia a moeda já iria desvalorizar.

Situação parecida poderia ser observada na Itália, país tardiamente unificado e atrasado na corrida imperialista, possuia uma economia frágil. O Norte do país, capitalista e industrial sustentava todo o resto, que ainda possuia uma economia eminentemente agrária e feudal. Com o fim da guerra e dos auxílios financeiros dos aliados a moeda italiana desvaloriza em mais de 75%. Além disto graves problemas de desemprego, alta de preços, abastecimento e moradia que atingem grande parte da população, dão a possibilidade de que aconteçam várias greves, rebeliões e ocupações de fábricas.

Alemanha e Itália estão imersas em crises, a população dos dois países busca por soluções, busca por esperança de um futuro melhor. Essa busca pode ser observada também nos outros países da Europa. As pessoas não confiam mais nos governos que as levaram a guerra, alternativas são buscadas. Nesse contexto podemos perceber nas eleições em toda a Europa votos esperançosos para partidos de extrema direita e esquerda.

A solução precisava vir logo. A esperança de dias melhores de toda a população precisava deixar de ser apenas vontade e virar realidade. E foi o que aonteceu, como veremos adiante.





Notas:
¹ O Tratado de Versalhes foi imposto pelos países vitoriosos na I Guerra, em 1919, aos países da tríplice aliança. Neste tratado ficaram estabelecidas sérias restrições à Alemanha, como: Diminuição de território, proibição de manter exército com mais de 100000 homens, instalação da República, domínio de várias fontes de matéria-prima e indústrias alemãs por parte do capital estrangeiro, entre outros.

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