7 de fev de 2017

Brusque, II Guerra Mundial, Getúlio e FEB

A Segunda Guerra Mundial inicia em 1939. Em fevereiro de 1942 navios brasileiros começam a ser atacados por submarinos alemães. O Brasil se mantém neutro no conflito até Agosto. Após garantir o financiamento dos EUA para várias obras, Getúlio Vargas, presidente à época, declara guerra contra a Alemanha nazista e a Itália fascista. 




Formação da FEB

Neste momento a maior parte da população do Brasil era analfabeta e vivia na zona rural, o país não possuía uma infraestrutura industrial, nem educacional ou social. Estamos atrasados e este atraso vai se refletir no esforço de guerra: a Força Expedicionária Brasileira (FEB) vai ser formada somente um ano após a declaração de guerra. Os soldados brasileiros chegam ao campo de batalha somente em julho de 1944, momento em que o conflito estava em seu fim. 
Esta situação é confirmada pelo depoimento de Ervin Riffel, ex-combatente brusquense. Ele afirma que foi convocado em janeiro de 1943 para se apresentar em Blumenau, onde realizou inspeções de saúde iniciais e depois se estabeleceu na cidade vizinha para realizar os treinamentos. Após o tempo em Blumenau, o soldado é transferido para Caçapava em São Paulo e após 3 meses de mais treinamento é destacado para se juntar a Força Expedicionária Brasileira no Rio de Janeiro e viajar para a Itália em setembro de 1944. 

A Guerra

Ao chegar na Itália a destruição, o frio, as mortes e os horrores do que encontram impressionam os recrutas brusquenses, ao ponto parecer claro para muitos daqueles soldados que o retorno pra casa com vida seria praticamente impossível. Riffel conta que participou de dois dos momentos mais importantes dos brasileiros na campanha italiana: a tomada da cidade de Montesse (14 e 17 de abril de 1945), batalha em que a FEB teve o maior número de baixas, 430 ao total, e também da tomada de Monte Castelo (24/11/1944 a 21/02/1945). A tomada de Monte Castelo se tornou um símbolo da participação do exército brasileiro na campanha italiana. Em Brusque a rua em que estão localizados o Colégio Cônsul Carlos Renaux e  a Igreja Luterana em seu nome homenageia o feito. 
Um mês após a tomada de Montesse a guerra na Europa estava acabada. Em 8 de maio acontece a rendição da Alemanha, a guerra continua no Pacífico pois o Japão ainda resistia e rende-se apenas em 02/09/1945 após o bombardeio atômico de Hiroshima e Nagasaki. 
Felizmente a primeira impressão não se confirmou para os brusquenses: dos 47 pracinhas que são convocados de Brusque (que na época englobava as atuais cidades de Vidal Ramos, Presidente Nereu, Botuverá e Guabiruba), felizmente, todos sobreviveram, 4 deles recebem a medalha de sangue por saírem feridos do conflito. 

O Retorno

O retorno pra casa foi bastante controverso. Os soldados já foram desintegrados da FEB na Itália. Os brusquenses voltam em grupos separados para a terra natal, estratégia adotada com todos os combatentes. Getúlio Vargas, bem como seus opositores, tinham medo que os soldados que lutaram na Europa para derrubar as ditaduras de Mussolini e Hitler se unissem para também derrubar a ditadura corrente no Brasil ou de algum modo conturbassem o cenário político nacional. 
O medo da mobilização dos combatentes fazia menção à uma lição histórica aprendida pelo executivo brasileiro: é justamente o exército que, após o retorno da Guerra do Paraguai, dá força ao movimento republicano contra o governo de Dom Pedro II levando à  Proclamação da República. 
Após o retorno, os ex-combatentes são praticamente abandonados pelo governo, não recebem qualquer tipo de auxílio médico, psicológico ou financeiro. O presidente Dutra proíbe até mesmo que estes homens possam dar entrevistas e declarações à imprensa. A reintegração a sociedade para muitos desses soldados é bastante difícil, fim injusto para aqueles que colocaram suas vidas em risco lutando contra o nazifascismo e defendendo a integridade de seu país.


Pra quem curte, vai a dica de um filme recente e brasileiro sobre a participação da FEB na Segunda Guerra:



Bibliografia
1. http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2010/11/12/interna_diversao_arte,222841/depoimentos-de-pracinhas-na-2-guerra-desmistificam-atuacao-de-brasileiros.shtml

3. http://radioamadorismonobrasil.blogspot.com.br/2013/10/dia-da-vitoria-2a-guerra-mundial.html

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