2 de jul. de 2012

História do Futebol em Brusque


O início do século XX foi um tempo onde Brusque sentiu a modernidade. A energia elétrica e tudo aquilo que seria movido com ela contribui para que o brusquense, principalmente aqueles que moravam na região central da cidade, sentissem a vanguarda da época. Mas a modernidade não se manifestou apenas na tecnologia, o gosto pelo esporte também modificou. Podemos observar na cidade, a partir de 1913, o surgimento de alguns clubes que tinham como objetivo praticar uma modalidade de origem britânica que recém havia chegado ao Brasil (por volta de 1900 surgem os primeiros clubes para sua prática em São Paulo e em outros estados). Esse novo esporte era o futebol.
O clube pioneiro em Brusque na prática futebolística foi o Sport Club Brusquense. Ele surge através da iniciativa de Arthur Olinger1.
Olinger, com a idade de 20 anos, foi até a cidade de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, com a intenção de aperfeiçoar sua prática na confecção de artigos de couro e no processo de curtição do material. Naquela cidade o jovem brusquense conhece e se apaixona pelo futebol. Seu gosto pelo esporte é tanto que consegue entrar para os quadros do “Sport-Club Novo Hamburgo” atuando na equipe secundária do clube.

Apesar do entusiasmo de Arthur, seu estágio na firma “Pedro Adams Filho”, que lhe ensinava as lides do couro, havia terminado. Era preciso regressar a Brusque e se despedir do Sport-Club Novo Hamburgo, como também dos amigos. O brusquense se despede do clube, mas não do futebol. Em sua bagagem carrega uma bola de couro além de outros equipamentos. No fim de maio de 1913 o jovem chega de viagem e juntamente com seu amigo Guilherme Diegoli, apresenta o novo esporte aos brusquenses. Aos poucos a dupla vai conseguindo novos adeptos, e não demorou muito para formarem um time. 
Em setembro, nas comemorações da independência do Brasil, o Schützenverein Brusque organiza uma programação especial. Entre as atividades daquele dia estava marcada a partida de estreia do novo esporte. A praça em frente a sede do clube, que estava lotada, é esvaziada. O público acomoda-se às suas margens, todos estão curiosos para saber o que se passaria ali, a maioria jamais havia escutado falar em futebol. Após alguns momentos de espera, os jogadores uniformizados entram no “campo” que se formou. Camisas e calças brancas, os mais abonados possuíam sapatos adaptados, o restante se apresentava descalço. O entusiasmo era evidente no rosto daqueles jovens, todos estavam orgulhosos por apresentar para a cidade o esporte que já havia conquistado vários praticantes no Brasil inteiro.
A partida, ou o “match”, como era nomeada na época, se inicia. Os primeiros chutes provocam estranhamento no público, aos poucos o que lhes parecia uma corrida desenfreada atrás da bola de couro passa a ter sentido. Quando os jogadores conseguem pela primeira vez driblar a defesa e fazer a bola passar por dentro da trave, sua vibração contagia a todos, fazendo com que o objetivo do esporte passe a ser claramente entendido pelos espectadores: o gol.
Ao final da disputa o entusiasmo é tanto que surge a ideia de se fundar um clube para a prática do esporte na cidade. Uma reunião para o próximo domingo é agendada no salão do Hotel de Shoenen Wilhelm. Desse modo em 14 de setembro de 1913 está fundado o Sport-Club Brusquense.
O esporte ganha popularidade na cidade, tanto é que os jornais da época passam a acompanhar todos os passos de seu desenvolvimento. Logo partidas com clubes de cidades vizinhas eram marcadas, e também em Brusque surgem adversários para o Sport-Club Brusquense, como é o caso do Esporte Clube Peterstrasse ou Sport-Verein Peterstrasse (Localizado na Rua São Pedro, fundado em 1915) e o Clube Esportivo Paysandu (fundado em 30 de Dezembro de 1918).
Com o tempo a rivalidade entre os clubes cresce, principalmente entre o Brusquense e o Paysandu, transformando cada partida em um verdadeiro clássico. Todas as disputas eram relatadas nos jornais brusquenses demonstrando o interesse que os torcedores tinham para com o futebol. Os dois times conseguem projeção estadual conquistando vários títulos nos campeonatos disputados.
Conforme os clubes alcançam sucesso suas sedes vão sendo melhoradas e ampliadas. Após anos utilizando o campo de futebol da Turnverein Brusque, em 1931 é inaugurado o estádio “Augusto Bauer”, campo do Sport-Club Brusquense2. Bauer fora o presidente do clube e era dono do terreno onde o estádio foi implementado, vendendo o mesmo para o clube sob condições especiais.
Em 1940 o clube funda sua sede social, a metade do valor da nova construção foi doada pelo industrial Cônsul Carlos Renaux, o restante fora arrecadado numa intensa campanha feita pela agremiação. Em 1944 uma determinação federal obrigava aos clubes adotarem nomes que fizessem referência à pátria brasileira. Devemos lembrar que aqueles eram tempos da Segunda Guerra Mundial e de uma política de nacionalização muito forte por parte do governo Getúlio Vargas. Em assembléia geral o clube decide adotar do nome de seu bem-feitor, Cônsul Carlos Renaux, passando então a denominar-se Clube Atlético Carlos Renaux. Popularmente, o nome do clube sofre uma aglutinação muito particular por parte dos brusquenses, sendo conhecido apenas ccomo “Carrenô”.
Já o maior rival do “Carrenô”, tem seu estádio inaugurado alguns anos antes, em 1924. Antônio Maluche vendeu seu terreno ao clube em condições especiais. Em 1943, como havia feito com o Sport-Club Brusquense, o Cônsul Carlos Renaux doa uma quantia de dinheiro ao clube Paysandú, o que proporciona o início da construção da sede social do clube que vai ser terminada apenas em 1949. Sua inauguração foi motivo para uma festa que durou de 12 até 15 de Novembro daquele ano.
As sedes sociais dos clubes eram muito importantes, pois a atividade deles não limitavam-se apenas aos esportes. Grandes bailes, festas e comemorações eram feitas, além de apresentações musicais e teatrais. Com suas sedes os clubes não precisariam mais alugar salões para realizarem seus eventos, desse modo além de economizar, era estabelecida uma relação de identidade e pertencimento entre os associados e suas agremiações. Entre os bailes mais concorridos realizados pelos dois clubes, estavam os bailes de carnaval.
Os dois clubes ganham tanta popularidade na cidade que com o passar do tempo, mesmo as pessoas que não fossem associadas, ou torciam para o Paysandú, ou Carlos Renaux. A rivalidade dura até 12 de outubro de 1987, quando os dois clubes fundem seus patrimônios e dão origem ao Brusque Futebol Clube. Este novo time assume a posição do extinto Paysandú no campeonato catarinense e tem no Estádio Augusto Bauer o mando de seus jogos3. O novo clube alcança sucesso conquistando vários títulos, o principal deles, é o campeonato catarinense de 1992.
Recentemente a fusão é encerrada, os dois clubes voltam a ter vida própria. O Carlos Renaux tvolta a suas atividades, o estádio Augusto Bauer é pintado com as cores oficiais do clube: vermelho, azul e branco. Apesar disto o time de futebol que joga em suas dependências ainda é o Brusque Futebol Clube, que aluga o campo para a realização de suas partidas.
O Paysandu tem sua sede social reformada, as cores verde e branco e o letreiro com o nome do clube voltam a ornar o prédio da rua Pedro Werner. Nas dependências do clube o famoso baile de carnaval que agitou Brusque por tantos anos no passado volta a ser editado. O Paysandu, assim como o Carlos Renaux, não possui um time profissional de futebol, entretanto, mantém um trabalho intenso com categorias de base.
Seria isto o presságio de um retorno as origens do futebol brusquense? Esta é uma pergunta que infelizmente a história não pode responder....

(Plantel do Clube Esportivo Paysandu - Década de 1920)


(Trecho do Capítulo "Sereno Gostoso que não volta mais": Sociabilidades no início do século XX. Tal texto faz parte do projeto Brusque 150 anos)


1Este capítulo é embasado na obra de Ayres Gevaerd: As sociedades Esportivas, Recreativas, Culturais, Beneficentes, de Classe e Militares de Brusque. Editado pela Sociedade Amigos de Brusque.
2 A arquibancada data de 1952 e o alambrado que cerca o campo de 1953
3História do Brusque Futebol Clube. Disponível em: acesso em 01/06/2010.

1 de jul. de 2012

Mapa animado da II Guerra Mundial

Galera, está disponível no link abaixo um mapa animado sobre a II Guerra Mundial. Nele podemos perceber passo a passo o desenrolar do conflito. O mapa possui ainda fotos e comentários sobre as batalhas e avanços do eixo e dos aliados.

Bons estudos a todos e todas!






25 de jun. de 2012

Mapeamento das questões de História no Enem (2009 a 2011)

Essa vai pra quem está estudando para o ENEM!


O meu professor dos tempos de faculdade e amigo Anderson Sartori elaborou um mapeamento das questões de História que apareceram no Enem de 2009, 2010 e 2011.
Com o estudo dele, podemos perceber quais são os assuntos mais frequentes na prova e assim aproveitar melhor os estudos.


Ai vai um resumo:



Quantificação do levantamento das questões de História – 2009 a 2011

Período histórico
Frequência
Brasil República
18
Brasil Colônia
09
Idade Moderna
07
Idade Contemporânea
07
Brasil Império
06
Historiografia geral e brasileira
03
Temáticas variadas
03
Idade Média
02
Idade Antiga
01
América Pré-Colombiana
01
América Latina (século XX)
01



O link abaixo leva ao Metamorfoses históricas, o blog do Anderson. Lá está o estudo completo. 
Bom proveito!


Metamorfoses históricas: Mapeamentodas questões de História no Enem (2009 a 2011)

7 de mai. de 2012

Material sobre a II Guerra

Para o pessoal que está estudando a II Guerra Mundial ou gosta do assunto, ai vai um link interessantíssimo:


http://veja.abril.com.br/especiais_online/segunda_guerra/index_flash.html


A veja preparou um material de primeira sobre o tema, com textos, fotografias, animações e vídeos.
Acessa lá!

12 de jul. de 2011

Trabalho Segunda Série - Representações da América

Ai estão os slides para a realização do trabalho sobre as representações criadas sobre a América.


Data de Entrega: Até dia 30/07;
Trabalho em grupos de quatro ou cinco alunos;
Entrega pelo email cadumichel@hotmail.com ou pessoalmente.

19 de dez. de 2010

Discurso aos formandos 2010

Bom, este ano tive a alegria de ser escolhido patrono da 3ª série III da Escola de Ensino Básico M. Gregório Locks.
Pois bem, para a cerimônia de formatura preparei este discurso, entretanto, devido ao tamanho final dele preferi dividir um otro texto, menor e mais simples, com as professoras Terezinha e Ângela, patronesses das outras duas turmas de formandos.
Apesar disso gostaria muito que essas palavras que escrevi chegassem até meus alunos, é uma forma de homenagem e reconhecimento pelos momentos maravilhosos que tive esse ano com eles. Então, pra quem quiser, ai vai:

Boa noite a todos, especialmente aos meus colegas professores e mais especialmente ainda aos meus queridos alunos afilhados da terceira série três.
Meus queridos! Depois de um ano cumprimentando vocês dessa maneira não seria agora, na formatura, que eu deixaria de fazer!
Confesso que no início eu dizia “boa noite meus queridos” apenas para ser diferente, talvez engraçado. Entretanto, aos poucos, o sentido dessa pequena frase foi se alterando pra mim e eu passei a entender a importância dessas duas pequenas palavras: meus queridos. Elas significam bem querer, e é exatamente isso o que eu sinto por todos vocês, um enorme bem querer!
É verdade que um professor deve sentir tal coisa por todos os seus alunos, mas mesmo assim, sempre tem aquela turma onde as coisas parecem que acontecem de uma maneira mais fácil, aonde se aprende mais e aonde se fala mais besteira também, aquela turma aonde a relação professor e aluno se dá de uma maneira mais próxima porém sempre respeitosa e saudável. Pra mim, assim foi a terceira três esse ano.
O poeta Vinicius de Moraes dizia que a vida é a arte do encontro. Gosto de pensar a vida desse jeito, como um encontro. O encontro do homem com uma mulher, com um amigo, com o amor, com a felicidade, com a tristeza, enfim, com tudo e todos. Gosto de pensar desta maneira pois encarar as coisas como um encontro pressupõe que elas terão um fim, mas mesmo assim serão lembradas, como todos os bons encontros o são.
Mas agora falando sobre nós, como foi esse nosso encontro? O que vai ser lembrado?
Engraçado é que ainda me recordo da primeira vez que coloquei os pés na sala 14 durante a noite. Na minha cabeça, passavam vários flashes, lembrava do que várias pessoas haviam falado sobre a 3ª 3: é uma turma boa, mas é grande, vai ser difícil trabalhar. Eles são muito agitados porque a turma é enorme. Não mostra os dentes quando entrares lá, senão tais perdido. E coisas do tipo. Agora imaginem, eu, 22 anos, recém-formado, nunca havia assumido de fato uma turma de ensino médio, entrando numa sala de aula, período noturno pela primeira vez... E pra ajudar, assim que boto o primeiro pé na sala de aula, escuto vindo de um bolo de alunos que se encontrava em pé a minha espera a empolgante frase: “olha ali ó, mais um aluno novo chegando”. Ou seja, minha moral estava boa pra caramba! Mas enfim, não me entreguei, ainda que tentando disfarçar a tremedeira e a voz exitante, tirei forças não sei da onde e comecei a dar a minha aula, depois de cinco ou dez minutos eu já quase era eu mesmo, e então a coisa foi.
A coisa foi de tal maneira que passado um mês, talvez um pouquinho mais, não sei bem como, a turma de vocês passou a ser uma das que eu me sentia mais a vontade lecionando, uma das turmas onde as aulas eram as mais empolgadas, onde saiam as maiores bobeiras e mesmo assim aonde o aprendizado se deu de maneira bastante intensa. E o melhor é que esse aprendizado não foi só da parte de vocês alunos, vocês não tem noção do quanto também me ensinaram esse ano! Nessa sala conheci pessoas incríveis com as quais vivi momentos muito bons tanto na escola como fora dela. Como esquecer dos barzinhos após a aula, das pizzas, das festas, das conversas, das piadas, de todos nossos encontros. Podem ter certeza que em mim todos esses momentos ficarão eternizados na lembrança desse nosso encontro tão feliz. E eu acredito que pela escolha que fizeram para patrono esse sentimento será recíproco!
Aliás, falando sobre a escolha para patrono, quero dizer que fiquei muito lisongeado quando soube que vocês haviam me escolhido para tal, confesso que essa foi uma das minhas grandes alegrias esse ano. E já que me escolheram chegou a hora de eu falar algumas coisas sobre o futuro, não que eu tenha muita experiência para dar conselhos, mas mesmo assim ai vai:
Meus queridos, como eu os quero bem, eu desejo profundamente que nos encontros que a vida proporcionar a todos vocês, que não se esqueçam daquilo que é fundamental em todas as pessoas, o amor. Pode parecer clichê e até piegas eu falar isso num discurso de formatura, mas acredito que é importante, sempre que possível nos lembrarmos disso: é o amor que faz a vida valer a pena.
Não estou falando aqui de um amor bobo, desses passageiros e frágeis ou exagerados como nos aparecem nos filmes da sessão da tarde. Falo sim daquele amor que emana de dentro de todos os seres e que dá ânimo de continuarmos vivos. Falo do amor que nos move a realizar nossos sonhos e a conquistar nossos objetivos. Do amor que nos une a uma mulher ou a um homem, a um amigo. Do amor quase sagrado por nossa família. Falo daquele amor verdadeiro, simples, belo e profundo.
Queridos, eu desejo sinceramente que todos vocês amem. Desejo que sintam um profundo amor por sua profissão, seja qual for a que escolherem seguir, assim o trabalho não será uma obrigação entediante, mas sim uma satisfação engrandecedora. Desejo que amem eternamente seus pais, assim suas ações e aquilo que eles lhes disserem não serão ordens, mas sim conselhos de quem os quer bem. Desejo que amem profundamente seus companheiros, assim o relacionamento não será uma simples satisfação de vaidades, deste modo o casal será casal de fato, cheio de compreensão, carinho e afeto. Desejo que amem profundamente o próximo, mesmo que isso possa parecer difícil muitas vezes (e é difícil mesmo), mas assim injustiças serão evitadas, assim pré-conceitos serão esquecidos e assim esse mundo cada vez mais técnico, robótico e frio se tornará mais humano, carinhoso e acolhedor. Desejo, que todos amem profundamente a si próprios, o suficiente para não se entregarem a caminhos fáceis mas que tenham finais trágicos, o suficiente para perceberem que cada um de vocês é responsável pela própria felicidade e pelas próprias escolhas, o suficiente para não entregarem suas vidas ao vazio. Desejo que vocês amem profundamente seus sonhos, o suficiente para ter coragem de levantar quando algo não dá certo e tentar denovo, o suficiente para querer sempre mais, o suficiente para alcançar coisas novas e grandes. Desejo que vocês amem profundamente a si próprios e ao mundo para perceber que essa vida é uma só, e que todos nós merecemos ser muito felizes nela.
Pode parecer sonho, discurso utópico, furado, barato. Mas é nisso que eu acredito. E desejo que vocês possam ser semeadores dessa ideia daqui pra frente. Aliás, desejo não, é uma ordem, já que me escolheram como patrono!

Meus queridos, 2010 ficará marcado para sempre em minha memória, cada um de vocês faz parte dele, muito obrigado por tudo, de coração.
Meus queridos, agora a noite é nossa e o mundo é de vocês: encham ele de amor, sonhos e felicidade.
Muito Obrigado!