7 de fev. de 2017

Brusque, II Guerra Mundial, Getúlio e FEB

A Segunda Guerra Mundial inicia em 1939. Em fevereiro de 1942 navios brasileiros começam a ser atacados por submarinos alemães. O Brasil se mantém neutro no conflito até Agosto. Após garantir o financiamento dos EUA para várias obras, Getúlio Vargas, presidente à época, declara guerra contra a Alemanha nazista e a Itália fascista. 




Formação da FEB

Neste momento a maior parte da população do Brasil era analfabeta e vivia na zona rural, o país não possuía uma infraestrutura industrial, nem educacional ou social. Estamos atrasados e este atraso vai se refletir no esforço de guerra: a Força Expedicionária Brasileira (FEB) vai ser formada somente um ano após a declaração de guerra. Os soldados brasileiros chegam ao campo de batalha somente em julho de 1944, momento em que o conflito estava em seu fim. 
Esta situação é confirmada pelo depoimento de Ervin Riffel, ex-combatente brusquense. Ele afirma que foi convocado em janeiro de 1943 para se apresentar em Blumenau, onde realizou inspeções de saúde iniciais e depois se estabeleceu na cidade vizinha para realizar os treinamentos. Após o tempo em Blumenau, o soldado é transferido para Caçapava em São Paulo e após 3 meses de mais treinamento é destacado para se juntar a Força Expedicionária Brasileira no Rio de Janeiro e viajar para a Itália em setembro de 1944. 

A Guerra

Ao chegar na Itália a destruição, o frio, as mortes e os horrores do que encontram impressionam os recrutas brusquenses, ao ponto parecer claro para muitos daqueles soldados que o retorno pra casa com vida seria praticamente impossível. Riffel conta que participou de dois dos momentos mais importantes dos brasileiros na campanha italiana: a tomada da cidade de Montesse (14 e 17 de abril de 1945), batalha em que a FEB teve o maior número de baixas, 430 ao total, e também da tomada de Monte Castelo (24/11/1944 a 21/02/1945). A tomada de Monte Castelo se tornou um símbolo da participação do exército brasileiro na campanha italiana. Em Brusque a rua em que estão localizados o Colégio Cônsul Carlos Renaux e  a Igreja Luterana em seu nome homenageia o feito. 
Um mês após a tomada de Montesse a guerra na Europa estava acabada. Em 8 de maio acontece a rendição da Alemanha, a guerra continua no Pacífico pois o Japão ainda resistia e rende-se apenas em 02/09/1945 após o bombardeio atômico de Hiroshima e Nagasaki. 
Felizmente a primeira impressão não se confirmou para os brusquenses: dos 47 pracinhas que são convocados de Brusque (que na época englobava as atuais cidades de Vidal Ramos, Presidente Nereu, Botuverá e Guabiruba), felizmente, todos sobreviveram, 4 deles recebem a medalha de sangue por saírem feridos do conflito. 

O Retorno

O retorno pra casa foi bastante controverso. Os soldados já foram desintegrados da FEB na Itália. Os brusquenses voltam em grupos separados para a terra natal, estratégia adotada com todos os combatentes. Getúlio Vargas, bem como seus opositores, tinham medo que os soldados que lutaram na Europa para derrubar as ditaduras de Mussolini e Hitler se unissem para também derrubar a ditadura corrente no Brasil ou de algum modo conturbassem o cenário político nacional. 
O medo da mobilização dos combatentes fazia menção à uma lição histórica aprendida pelo executivo brasileiro: é justamente o exército que, após o retorno da Guerra do Paraguai, dá força ao movimento republicano contra o governo de Dom Pedro II levando à  Proclamação da República. 
Após o retorno, os ex-combatentes são praticamente abandonados pelo governo, não recebem qualquer tipo de auxílio médico, psicológico ou financeiro. O presidente Dutra proíbe até mesmo que estes homens possam dar entrevistas e declarações à imprensa. A reintegração a sociedade para muitos desses soldados é bastante difícil, fim injusto para aqueles que colocaram suas vidas em risco lutando contra o nazifascismo e defendendo a integridade de seu país.


Pra quem curte, vai a dica de um filme recente e brasileiro sobre a participação da FEB na Segunda Guerra:



Bibliografia
1. http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2010/11/12/interna_diversao_arte,222841/depoimentos-de-pracinhas-na-2-guerra-desmistificam-atuacao-de-brasileiros.shtml

3. http://radioamadorismonobrasil.blogspot.com.br/2013/10/dia-da-vitoria-2a-guerra-mundial.html

18 de mar. de 2013

Museu: História que continua acontecendo

"Aconteceu há mil anos?
Continua acontecendo.
Nos mais desbotados panos
Estou me lendo e relendo."
(Carlos Drummond de Andrade)

Nas primeiras aulas do ano, procuro contextualizar a experiência de "ir a escola" com meus alunos. A ideia é mostrar que o que se faz ali tem historicidade. Problematizamos desde as negociações e disputas que ocorreram ao longo do tempo para definir um currículo, até a mudança nos comportamentos aceitáveis ou reprimíveis dentro do espaço escolar.
Claro que em algumas turmas esta discussão é mais ampla, noutras, menos. Mas o objetivo ao tratar destes temas é pensar a importância de se estudar história. Mostrando que a escola tem historicidade podemos perceber que o que vivemos nela não é algo desligado do passado; assim a história revela sua pertinência: compreender o presente. 

Pois bem. Indo além nesta discussão, concluimos que todos escrevemos a história, somos parte dela e ela parte de nós. Tudo tem história, tudo é feito de história (como sugere o título do blog) e estudar a história só faz sentido se conseguirmos compreender a ligação passado-presente.

E ai neste ano um aluno levantou a questão dos museus e de sua pertinência. Essa pergunta foi um prato cheio pois, pensar museu hoje em dia, e especialmente pensar museu em Brusque, é algo desolador. Temos instituições com acervos incríveis, entretanto não temos projetos que elaborem exposições atrativas, pedagógicas: não temos projetos que valorizem a educação nos museus. E foi justamente essa situação que tal aluno evocou ao dizer que: 

"Se a história só faz sentido quando a gente percebe que faz parte dela, então os museus que conheço não fazem sentido" 

Engraçado que muita gente se revolta ao escutar ou ler depoimentos desse tipo, e consolam-se pensando: essa juventude não valoriza mais o conhecimento. A história se transforma, nesse tipo de pensamento, uma preciosidade para poucos: um vinho fino, caro, de  uma boa safra antiga, que só paladares apurados podem aproveitar. Ora,  ao valorizar essas garrafas, não podemos esquecer das outras... assim como o vinho antigo, fino, raro e caro é incrível, um vinho jovem, refrescante, barato e equilibrado pode ser igualmente surpreendente. É vinho também, mas com outras características, basta saber aproveitar!

Não podemos pensar uma educação nos dias de hoje como já foi pensado há 30, 40 ou até mais anos atrás, assim como não podemos pensar o museu deste jeito. É necessário investir nestas áreas, investir em formação e inovação. É preciso adequar-se ao tempo em que vivemos e mostrar que todos fazemos parte da história, através de uma escola e uma atividade docente diferenciada e também através de exposições que cativem. 

Nesta semana vou poder chamar esse meu aluno e contar uma novidade museológica para ele. . Saiu ontem   matéria no Jornal Município sobre um novo projeto de educação no Museu da Azambuja. Fiquei muito feliz pela iniciativa e também ao descobrir que tenho amigos bastante competentes tocando o projeto a frente!

Ai vai o link:
http://www.municipiomais.com.br/site/noticia/geral/projeto-educacional-aproxima-alunos-da-historia-de-brusque



Que mais projetos como esse venham! A história precisa respirar para sobreviver para que possamos nos ler e reler!

14 de mar. de 2013

Capela Sistina em 3D

Aproveitando o ensejo do Conclave, ai vai um link para quem, assim como eu, ainda não foi pro Vaticano!

O site do próprio Vaticano disponibiliza uma visita virtual em 3d pela Capela Sistina, lugar onde foi realizado o Conclave, e obra prima de toda humanidade.

Ai vai o link:
http://www.vatican.va/various/cappelle/sistina_vr/index.html

Conclave na Capela Sistina

Guia de visita:


A Capela foi pintada por diferentes artistas e retrata várias passagens religiosas. 
Na parede esquerda, a partir do altar, estão as cenas do Velho Testamento:
1 – Moisés a caminho do Egito e a circuncisão de seus filhos, obra de Pinturicchio;
2 – Cenas da Vida de Moisés, de Botticelli;
3 – Passagem do Mar Vermelho, de Cosimo Rosselli;
4 – Moisés no Monte Sinai e a Adoração do Bezerro de Ouro, de Rosselli;
5 – A Punição de Korah, Natan e Abiram, de Botticelli;
6 – A Morte de Moisés, de Lucas Signorelli.
No lado direito:
1 – O Batismo de Jesus, de Pinturicchio;
2 – Tentação de Cristo e a Purificação do Leproso, de Botticelli;
3 – Vocação dos Apóstolos, de Ghirlandaio;
4 – Sermão da Montanha, de Rosselli,
5 – A Entrega das Chaves a São Pedro, de Perugino;
6 – A Última Ceia,de Rosselli.


Entretanto, as obras mais incríveis, na minha opinião (e também dos especialistas), se encontram no teto e no altar, e foram concebidas e executadas por Michelângelo, sem o auxílio de ajudantes!

No teto temos:


1 - Deus separando a Luz das Trevas;
2 - Deus criando o Sol e a Lua;
3 - Deus separando a terra das águas;
4 - A Criação de Adão;
5 - A Criação de Eva;
6 - O Pecado Original e a Expulsão do Paraíso;
7 - O Sacrifício de Noé;
8 - O Dilúvio Universal;

Altar:


Já no altar 
Michelangelo expressa a Justiça Divina, o tema é recorrente nos altares desde o período medieval. Aqui, Cristo está na parte central da composição e julga as pessoas que sobem ao céu em sua direita. Na esquerda os condenados vão em direção a Caronte e Minos. Interessante perceber a influência greco-romana (típica do renascimento) presente até mesmo na história representada. Na mitologia grega, Caronte é o barqueiro de Hades e Minos, rei de Creta que após a morte passou a ser um dos 3 juízes do mundo subterrâneo, responsável pelo veredito final.

Para quem quiser se aprofundar mais:


- Um infográfico feito pelo jornal O Globo com o detalhamento das partes da Capela:
http://oglobo.globo.com/infograficos/capela-sistina/


- Um artigo explicando a história da construção da capela e sua ornamentação:
http://www.metodista.br/ppc/caminhando/caminhando-16/o-juizo-final-de-michelangelo

Na parte direita, também a partir do altar, as cenas do Novo Testamento:


Fonte:
Além dos sites citados no texto, http://www.catolicismoromano.com.br/content/view/290/47/

13 de mar. de 2013

Novecento


Em uma de minhas últimas aulas com o terceirão citei o filme 1900 (Novecento), do aclamado diretor italiano Bernardo Bertolucci. 




Conheci ele em uma troca de ideias com o professor Mário. Ele me contou, em um destes recreios, que se deparou com um filme no youtube que havia assistido há muito tempo e recomendou que eu procurasse e assistisse também.
Pois procurei e depois das mais de 5h de reprodução eu me percebi embasbacado, diante de um das melhores coisas que já tive a oportunidade de assistir.

O filme conta a história de Olmo, filho bastardo de camponeses e Alfredo, herdeiro de uma família rica de latifundiários italianos. Além dos personagens principais a história gira em torno de suas famílias e suas relações sociais. Através deste foco o roteiro faz uma retrospectiva histórica da Itália desde o início do século XX até o término da Segunda Guerra Mundial. Passando pelo fortalecimento do partido socialista, fascista, cotidiano, exploração dos trabalhadores e diversas situações do cotidiano e cultura da época.

Um roteiro riquíssimo, cheio de ideologias, simbologias, diálogos geniais, fotografia impressionante, atuações fantásticas (com ênfase em Robert De Niro e Gérard Depardieu no início de suas carreiras). Tudo isso revelado de uma maneira poética. O cuidado e a riqueza de detalhes são tão elaborados que nos sentimos transportados no tempo. Uma verdadeira obra de arte.



Quanto à parte histórica, o filme não é neutro, aliás isso é impossível. Podemos perceber tintas exageradas em certas cenas, mas em minha opinião, um bom espectador não se deixa influenciar por isso: ele interpreta tais exageros como fruto de um tempo e lugar de produção. Quando se assiste ao filme desta maneira crítica e poética ao mesmo tempo, podemos aproveitar com mais riqueza tudo o que ele pode nos oferecer.

Ai vai o link da primeira parte do filme no youtube:


A segunda parte eu só encontrei em sites para download, e quem tiver interesse, possuo as duas partes em arquivo .avi em meu computador. É só dar um toque e ter um pendrive com 3gb livres.

Conforme conversamos em sala, aceitarei trabalhos sobre o filme. Para mais detalhes, falem comigo. 



Bons estudos!

12 de mar. de 2013

Arquitetura Gótica e França

Para quem se interessou pela arquitetura gótica, ai vai um vídeo sobre a França que explica brevemente o processo de construção da Catedral de Notre-Dame e sua importância.



E para quem quiser adiantar-se, vale a pena assistir aos outros vídeos da série (são 5 no total). Eles abordardam o Período Absolutista e a Revolução Francesa, nossos próximos assuntos na disciplina!


Bons estudos!

18 de fev. de 2013

I Guerra Mundial



Aqui está o link para o site Veja na História:

http://veja.abril.com.br/historia/primeira-grande-guerra-mundial/1914-agosto-comeca-guerra/indice.shtml


Lista de filmes 

Sobre o conflito

1. Feliz Natal - http://www.youtube.com/movie?v=Q68mwQKRfts&feature=mv_sr
3. Documentário I Guerra BBC (Sobre o primeiro ano da guerra) - http://www.youtube.com/watch?v=XzLCgxNkjI4
3. Flyboys
4. O Último Batalhão - https://www.youtube.com/watch?v=Zd8FaPpsCoQ
5. Gallipoli 
6. Nada de novo no front (1979)


Sobre o conflito e a corrida imperialista

1. Hotel Rhuanda
2. A Sombra e a Escuridão
3. Diamante de Sangue
4. O poder de um jovem

30 de jul. de 2012

Enciclopédia Virtual de Brusque

Nesta semana a agenda histórica de Brusque entra pra história!

Hoje aconteceu o lançamento da Sala Brusque Virtual. 
A Sala Brusque Virtual é uma enciclopédia em plataforma Wiki. Esta plataforma proporciona que todos possam consultar e produzir material sobre a história da cidade.
Na minha opinião este é o projeto histórico mais importante já realizado no município. E ele tem esta importância pois democratiza a história. Todos somos atores nesse grande palco que é a história, portanto é natural que todos possamos estrelar!


Vale muito conferir:http://www.brusque.sc.gov.br/enciclopedia

24 de jul. de 2012

Trabalho Bônus - Ensino Médio Honório


“O Reino de Deus era a bússola dos homens no tempo”*

Escreva um comentário sobre a frase acima estabelecendo uma relação entre ela e a concepção cristã medieval de história elaborada por Santo Agostinho.

Em todas as turmas do Ensino Médio do Honório Miranda, em alguma das matérias que leciono, tivemos a oportunidade de discutir a concepção agostiniana de epistemologia. Agora é a hora de botar a mão na massa!

Ai vai o link de onde esta frase foi tirada:


http://books.google.com.br/books?id=0RUhFWcxKegC&lpg=PP1&hl=pt-BR&pg=PA20#v=onepage&q&f=false


Vá direto até a página 20.


ORIENTAÇÕES

1 – Turmas envolvidas: Ensino Médio do Colégio Honório Miranda

2 – Critérios de avaliação:
  a. Clareza na argumentação.
  b. Texto adequado com a Filosofia de Santo Agostinho.
  c. Objetividade
  d. Criatividade
  e. Cumprimento da norma culta da língua portuguesa
  
3 – Este trabalho é bônus, ou seja, sua realização não é obrigatória.

4 – Serão escolhidos 3 textos/comentários que melhor atenderem aos critérios de avaliação.
Estes 3 alunos receberão 2 pontos para somar, conforme desejarem, entre as provas trimestrais de Filosofia, História e Sociologia.

5 – Caso existam trabalhos que eu julgue bons mas que não chegaram a se colocar entre os 3 melhores, receberão também uma bonificação em forma de nota, que será determinada posteriormente confome meus critérios.

6 – Os comentários devem ser enviados para meu email em arquivo anexo de extensão .doc (normal do word): cadumichel@hotmail.com

7 – Além de enviar o arquivo com o texto por email, o aluno deverá postar algum comentário resumindo sua argumentação neste post do blog.

8 - Pra quem quiser alguma referência sobre a frase, pode consultar o livro de onde ela é extraída pelo endereço: http://books.google.com.br/books?id=0RUhFWcxKegC&lpg=PP1&hl=pt-BR&pg=PP1#v=onepage&q&f=false


9 - Prazo de entrega 05/08/2012, até 23:59h


Quando eu estava na faculdade, elaborei praticamente o mesmo trabalho. Meu texto ficou um tanto hermético mas mesmo assim gosto dele!
Ai vai como um exemplo:

"O Reino de Deus é a bússola do homem no tempo."  


Pode-se dizer que na concepção cristã romana e medieval** de história o Reino de Deus é a bússola do homem no tempo uma vez que esta concepção de história é teleológica, ou seja: a história tem um fim (telos), que é o Reino de Deus, anunciado quando o messias volta a terra para "julgar os vivos e os mortos". Assim a bússola aponta para o caminho que o ser humano deve seguir para chegar à salvação.
 Segundo Agostinho tudo e todos têm uma função, Deus traça um plano para todas as coisas e a História é o lugar onde estas coisas acontecem. Logo, o caminho apontado pela bússola está anunciado no mapa, e nada irá alterá-lo. Contudo o caminho a ser percorrido escrito no mapa é ilegível ao ser humano, pois só Deus o conhece, e o caminho já percorrido pelo ser humano representado neste mapa é de escrita muito tosca, e ainda, o cristão não tem interesse por sua história, para ele só interessa o futuro. O passado para o cristão tem ligação com o pecado e o futuro com a redenção, temos assim uma idéia assimétrica entre passado e futuro, sendo o último supervalorizado.
Desta maneira a produção histórica medieval torna-se escassa. Os únicos escritos são hagiográficos, de certa maneira relatando o que de bom - e divino - aconteceu no passado cheio de pecados da humanidade. Neste sentido é que o caminho percorrido tem escrita tosca no mapa. 

Partindo desses pressupostos: o teleológico que indica uma história linear e o providencialista que indica uma "inação" do homem no tempo, chegamos ao pressuposto universalista da concepção cristã, onde o cristianismo é tido como religião universal. Catequizar, levar a "Verdade" a todos os pagãos, que segundo a religião também são filhos de Deus, é a ambição cristã. Assim não nega-se a existência de outros povos e também não exclui-se estes da religião, fazendo a concepção de humanidade bem como a de história cristã serem universais. A salvação anunciada no telos não é apenas individual, mas sim, com a cristianização do mundo, coletiva. O cristianismo torna-se então, de certa forma uma religião imperialista.
Desinteresse pelo passado, desprezo pela razão, inexistência de liberdade e conseqüente desvalorização da vida é o que a concepção cristã medieval de história, sistematizada por Santo Agostinho, logrou aos seus adeptos. O que dá o sentido a alguém percorrer o caminho do mapa cristão, guiado pela bússola é exatamente a Salvação. A salvação faz o cristão aceitar sua condição humana, o faz conformar-se com sua realidade e estabiliza a visão de mundo dele. A História para o cristão medieval está muito mais no futuro do que no passado ou presente.

* Comparação criada pelo Historiador José Carlos Reis, no livro História & teoria: historicismo, modernidade, temporalidade e verdade. ‪FGV Editora‬, 2 ed. 2003, p 20.
** Esta concepção, segundo o mesmo autor acima citado, dura até os séculos XIII e XIV na Europa.


Bom trabalho a todos que se aventurarem!



8 de jul. de 2012

História e Fotografia

Pra quem curte história e fotografias, existe um site muito bacana, o Retronaut. Nele podemos encontrar  séries de fotografias sobre determinados assuntos, alguns excêntricos, outros engraçados e outros mais sérios...
 O que vale é entendermos as fotografias como documentos históricos, que do presente, nos abrem janelas para o passado.


Selecionei algumas postagens bacanas do site... lá vai:
(Para abrir as demais fotografias sobre cada tema, clique no título)








George Clooney








7 de jul. de 2012

Revolução Francesa - History Channel

Essa é pro pessoal da 2a série e 7a do Honório e 8a do Cultura.
Vai ficar em casa nesse fim de semana de frio?
Aproveita pra assistir a esse documentário sobre a Revolução Francesa feito pela History Channel. Produção muito bacana e material interessante pra dar mais vida ao conteúdo explicado na sala de aula!



O documentário tem 9 partes, e todas elas estão disponíveis no YouTube.

Bom fim de semana e bons estudos a todos!

6 de jul. de 2012

Notícias da Guerra

A Revista Veja elaborou um material muito bacana sobre história, disponível no portal "Veja na História".






No link abaixo os caras da Veja produziram uma edição da revista para cada ano da guerra... vale conferir!






Bons Estudos!

3 de jul. de 2012

Getúlio Vargas no Youtube!

Fala galera!

Procurando bem no Youtube a gente sempre acha algo bom... Encontrei um material bacana sobre o Getúlio, lá vai:

O Primeiro vídeo é parte de um documentário sobre História do Brasil comandado pelo historiador Bóris Fausto. 
No doc o historiador dá a sua interpretação sobre a Era Vargas.



O segundo vídeo nos mostra um discurso do Getúlio em 1951 logo após ser eleito pelo voto popular. Perceba a ênfase dada ao trabalho e ao nacionalismo.




Por último, um dos jingles mais famosos da história política brasileira: "bota o retrato do velho outra vez" foi cantando por todos os cantos do país nas campanha das eleições de 1950. Novamente o trabalho como tema principal.



É isso ai, bons estudos a todos!

2 de jul. de 2012

História do Futebol em Brusque


O início do século XX foi um tempo onde Brusque sentiu a modernidade. A energia elétrica e tudo aquilo que seria movido com ela contribui para que o brusquense, principalmente aqueles que moravam na região central da cidade, sentissem a vanguarda da época. Mas a modernidade não se manifestou apenas na tecnologia, o gosto pelo esporte também modificou. Podemos observar na cidade, a partir de 1913, o surgimento de alguns clubes que tinham como objetivo praticar uma modalidade de origem britânica que recém havia chegado ao Brasil (por volta de 1900 surgem os primeiros clubes para sua prática em São Paulo e em outros estados). Esse novo esporte era o futebol.
O clube pioneiro em Brusque na prática futebolística foi o Sport Club Brusquense. Ele surge através da iniciativa de Arthur Olinger1.
Olinger, com a idade de 20 anos, foi até a cidade de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, com a intenção de aperfeiçoar sua prática na confecção de artigos de couro e no processo de curtição do material. Naquela cidade o jovem brusquense conhece e se apaixona pelo futebol. Seu gosto pelo esporte é tanto que consegue entrar para os quadros do “Sport-Club Novo Hamburgo” atuando na equipe secundária do clube.

Apesar do entusiasmo de Arthur, seu estágio na firma “Pedro Adams Filho”, que lhe ensinava as lides do couro, havia terminado. Era preciso regressar a Brusque e se despedir do Sport-Club Novo Hamburgo, como também dos amigos. O brusquense se despede do clube, mas não do futebol. Em sua bagagem carrega uma bola de couro além de outros equipamentos. No fim de maio de 1913 o jovem chega de viagem e juntamente com seu amigo Guilherme Diegoli, apresenta o novo esporte aos brusquenses. Aos poucos a dupla vai conseguindo novos adeptos, e não demorou muito para formarem um time. 
Em setembro, nas comemorações da independência do Brasil, o Schützenverein Brusque organiza uma programação especial. Entre as atividades daquele dia estava marcada a partida de estreia do novo esporte. A praça em frente a sede do clube, que estava lotada, é esvaziada. O público acomoda-se às suas margens, todos estão curiosos para saber o que se passaria ali, a maioria jamais havia escutado falar em futebol. Após alguns momentos de espera, os jogadores uniformizados entram no “campo” que se formou. Camisas e calças brancas, os mais abonados possuíam sapatos adaptados, o restante se apresentava descalço. O entusiasmo era evidente no rosto daqueles jovens, todos estavam orgulhosos por apresentar para a cidade o esporte que já havia conquistado vários praticantes no Brasil inteiro.
A partida, ou o “match”, como era nomeada na época, se inicia. Os primeiros chutes provocam estranhamento no público, aos poucos o que lhes parecia uma corrida desenfreada atrás da bola de couro passa a ter sentido. Quando os jogadores conseguem pela primeira vez driblar a defesa e fazer a bola passar por dentro da trave, sua vibração contagia a todos, fazendo com que o objetivo do esporte passe a ser claramente entendido pelos espectadores: o gol.
Ao final da disputa o entusiasmo é tanto que surge a ideia de se fundar um clube para a prática do esporte na cidade. Uma reunião para o próximo domingo é agendada no salão do Hotel de Shoenen Wilhelm. Desse modo em 14 de setembro de 1913 está fundado o Sport-Club Brusquense.
O esporte ganha popularidade na cidade, tanto é que os jornais da época passam a acompanhar todos os passos de seu desenvolvimento. Logo partidas com clubes de cidades vizinhas eram marcadas, e também em Brusque surgem adversários para o Sport-Club Brusquense, como é o caso do Esporte Clube Peterstrasse ou Sport-Verein Peterstrasse (Localizado na Rua São Pedro, fundado em 1915) e o Clube Esportivo Paysandu (fundado em 30 de Dezembro de 1918).
Com o tempo a rivalidade entre os clubes cresce, principalmente entre o Brusquense e o Paysandu, transformando cada partida em um verdadeiro clássico. Todas as disputas eram relatadas nos jornais brusquenses demonstrando o interesse que os torcedores tinham para com o futebol. Os dois times conseguem projeção estadual conquistando vários títulos nos campeonatos disputados.
Conforme os clubes alcançam sucesso suas sedes vão sendo melhoradas e ampliadas. Após anos utilizando o campo de futebol da Turnverein Brusque, em 1931 é inaugurado o estádio “Augusto Bauer”, campo do Sport-Club Brusquense2. Bauer fora o presidente do clube e era dono do terreno onde o estádio foi implementado, vendendo o mesmo para o clube sob condições especiais.
Em 1940 o clube funda sua sede social, a metade do valor da nova construção foi doada pelo industrial Cônsul Carlos Renaux, o restante fora arrecadado numa intensa campanha feita pela agremiação. Em 1944 uma determinação federal obrigava aos clubes adotarem nomes que fizessem referência à pátria brasileira. Devemos lembrar que aqueles eram tempos da Segunda Guerra Mundial e de uma política de nacionalização muito forte por parte do governo Getúlio Vargas. Em assembléia geral o clube decide adotar do nome de seu bem-feitor, Cônsul Carlos Renaux, passando então a denominar-se Clube Atlético Carlos Renaux. Popularmente, o nome do clube sofre uma aglutinação muito particular por parte dos brusquenses, sendo conhecido apenas ccomo “Carrenô”.
Já o maior rival do “Carrenô”, tem seu estádio inaugurado alguns anos antes, em 1924. Antônio Maluche vendeu seu terreno ao clube em condições especiais. Em 1943, como havia feito com o Sport-Club Brusquense, o Cônsul Carlos Renaux doa uma quantia de dinheiro ao clube Paysandú, o que proporciona o início da construção da sede social do clube que vai ser terminada apenas em 1949. Sua inauguração foi motivo para uma festa que durou de 12 até 15 de Novembro daquele ano.
As sedes sociais dos clubes eram muito importantes, pois a atividade deles não limitavam-se apenas aos esportes. Grandes bailes, festas e comemorações eram feitas, além de apresentações musicais e teatrais. Com suas sedes os clubes não precisariam mais alugar salões para realizarem seus eventos, desse modo além de economizar, era estabelecida uma relação de identidade e pertencimento entre os associados e suas agremiações. Entre os bailes mais concorridos realizados pelos dois clubes, estavam os bailes de carnaval.
Os dois clubes ganham tanta popularidade na cidade que com o passar do tempo, mesmo as pessoas que não fossem associadas, ou torciam para o Paysandú, ou Carlos Renaux. A rivalidade dura até 12 de outubro de 1987, quando os dois clubes fundem seus patrimônios e dão origem ao Brusque Futebol Clube. Este novo time assume a posição do extinto Paysandú no campeonato catarinense e tem no Estádio Augusto Bauer o mando de seus jogos3. O novo clube alcança sucesso conquistando vários títulos, o principal deles, é o campeonato catarinense de 1992.
Recentemente a fusão é encerrada, os dois clubes voltam a ter vida própria. O Carlos Renaux tvolta a suas atividades, o estádio Augusto Bauer é pintado com as cores oficiais do clube: vermelho, azul e branco. Apesar disto o time de futebol que joga em suas dependências ainda é o Brusque Futebol Clube, que aluga o campo para a realização de suas partidas.
O Paysandu tem sua sede social reformada, as cores verde e branco e o letreiro com o nome do clube voltam a ornar o prédio da rua Pedro Werner. Nas dependências do clube o famoso baile de carnaval que agitou Brusque por tantos anos no passado volta a ser editado. O Paysandu, assim como o Carlos Renaux, não possui um time profissional de futebol, entretanto, mantém um trabalho intenso com categorias de base.
Seria isto o presságio de um retorno as origens do futebol brusquense? Esta é uma pergunta que infelizmente a história não pode responder....

(Plantel do Clube Esportivo Paysandu - Década de 1920)


(Trecho do Capítulo "Sereno Gostoso que não volta mais": Sociabilidades no início do século XX. Tal texto faz parte do projeto Brusque 150 anos)


1Este capítulo é embasado na obra de Ayres Gevaerd: As sociedades Esportivas, Recreativas, Culturais, Beneficentes, de Classe e Militares de Brusque. Editado pela Sociedade Amigos de Brusque.
2 A arquibancada data de 1952 e o alambrado que cerca o campo de 1953
3História do Brusque Futebol Clube. Disponível em: acesso em 01/06/2010.

1 de jul. de 2012

Mapa animado da II Guerra Mundial

Galera, está disponível no link abaixo um mapa animado sobre a II Guerra Mundial. Nele podemos perceber passo a passo o desenrolar do conflito. O mapa possui ainda fotos e comentários sobre as batalhas e avanços do eixo e dos aliados.

Bons estudos a todos e todas!






25 de jun. de 2012

Mapeamento das questões de História no Enem (2009 a 2011)

Essa vai pra quem está estudando para o ENEM!


O meu professor dos tempos de faculdade e amigo Anderson Sartori elaborou um mapeamento das questões de História que apareceram no Enem de 2009, 2010 e 2011.
Com o estudo dele, podemos perceber quais são os assuntos mais frequentes na prova e assim aproveitar melhor os estudos.


Ai vai um resumo:



Quantificação do levantamento das questões de História – 2009 a 2011

Período histórico
Frequência
Brasil República
18
Brasil Colônia
09
Idade Moderna
07
Idade Contemporânea
07
Brasil Império
06
Historiografia geral e brasileira
03
Temáticas variadas
03
Idade Média
02
Idade Antiga
01
América Pré-Colombiana
01
América Latina (século XX)
01



O link abaixo leva ao Metamorfoses históricas, o blog do Anderson. Lá está o estudo completo. 
Bom proveito!


Metamorfoses históricas: Mapeamentodas questões de História no Enem (2009 a 2011)

7 de mai. de 2012

Material sobre a II Guerra

Para o pessoal que está estudando a II Guerra Mundial ou gosta do assunto, ai vai um link interessantíssimo:


http://veja.abril.com.br/especiais_online/segunda_guerra/index_flash.html


A veja preparou um material de primeira sobre o tema, com textos, fotografias, animações e vídeos.
Acessa lá!

12 de jul. de 2011

Trabalho Segunda Série - Representações da América

Ai estão os slides para a realização do trabalho sobre as representações criadas sobre a América.


Data de Entrega: Até dia 30/07;
Trabalho em grupos de quatro ou cinco alunos;
Entrega pelo email cadumichel@hotmail.com ou pessoalmente.

19 de dez. de 2010

Discurso aos formandos 2010

Bom, este ano tive a alegria de ser escolhido patrono da 3ª série III da Escola de Ensino Básico M. Gregório Locks.
Pois bem, para a cerimônia de formatura preparei este discurso, entretanto, devido ao tamanho final dele preferi dividir um otro texto, menor e mais simples, com as professoras Terezinha e Ângela, patronesses das outras duas turmas de formandos.
Apesar disso gostaria muito que essas palavras que escrevi chegassem até meus alunos, é uma forma de homenagem e reconhecimento pelos momentos maravilhosos que tive esse ano com eles. Então, pra quem quiser, ai vai:

Boa noite a todos, especialmente aos meus colegas professores e mais especialmente ainda aos meus queridos alunos afilhados da terceira série três.
Meus queridos! Depois de um ano cumprimentando vocês dessa maneira não seria agora, na formatura, que eu deixaria de fazer!
Confesso que no início eu dizia “boa noite meus queridos” apenas para ser diferente, talvez engraçado. Entretanto, aos poucos, o sentido dessa pequena frase foi se alterando pra mim e eu passei a entender a importância dessas duas pequenas palavras: meus queridos. Elas significam bem querer, e é exatamente isso o que eu sinto por todos vocês, um enorme bem querer!
É verdade que um professor deve sentir tal coisa por todos os seus alunos, mas mesmo assim, sempre tem aquela turma onde as coisas parecem que acontecem de uma maneira mais fácil, aonde se aprende mais e aonde se fala mais besteira também, aquela turma aonde a relação professor e aluno se dá de uma maneira mais próxima porém sempre respeitosa e saudável. Pra mim, assim foi a terceira três esse ano.
O poeta Vinicius de Moraes dizia que a vida é a arte do encontro. Gosto de pensar a vida desse jeito, como um encontro. O encontro do homem com uma mulher, com um amigo, com o amor, com a felicidade, com a tristeza, enfim, com tudo e todos. Gosto de pensar desta maneira pois encarar as coisas como um encontro pressupõe que elas terão um fim, mas mesmo assim serão lembradas, como todos os bons encontros o são.
Mas agora falando sobre nós, como foi esse nosso encontro? O que vai ser lembrado?
Engraçado é que ainda me recordo da primeira vez que coloquei os pés na sala 14 durante a noite. Na minha cabeça, passavam vários flashes, lembrava do que várias pessoas haviam falado sobre a 3ª 3: é uma turma boa, mas é grande, vai ser difícil trabalhar. Eles são muito agitados porque a turma é enorme. Não mostra os dentes quando entrares lá, senão tais perdido. E coisas do tipo. Agora imaginem, eu, 22 anos, recém-formado, nunca havia assumido de fato uma turma de ensino médio, entrando numa sala de aula, período noturno pela primeira vez... E pra ajudar, assim que boto o primeiro pé na sala de aula, escuto vindo de um bolo de alunos que se encontrava em pé a minha espera a empolgante frase: “olha ali ó, mais um aluno novo chegando”. Ou seja, minha moral estava boa pra caramba! Mas enfim, não me entreguei, ainda que tentando disfarçar a tremedeira e a voz exitante, tirei forças não sei da onde e comecei a dar a minha aula, depois de cinco ou dez minutos eu já quase era eu mesmo, e então a coisa foi.
A coisa foi de tal maneira que passado um mês, talvez um pouquinho mais, não sei bem como, a turma de vocês passou a ser uma das que eu me sentia mais a vontade lecionando, uma das turmas onde as aulas eram as mais empolgadas, onde saiam as maiores bobeiras e mesmo assim aonde o aprendizado se deu de maneira bastante intensa. E o melhor é que esse aprendizado não foi só da parte de vocês alunos, vocês não tem noção do quanto também me ensinaram esse ano! Nessa sala conheci pessoas incríveis com as quais vivi momentos muito bons tanto na escola como fora dela. Como esquecer dos barzinhos após a aula, das pizzas, das festas, das conversas, das piadas, de todos nossos encontros. Podem ter certeza que em mim todos esses momentos ficarão eternizados na lembrança desse nosso encontro tão feliz. E eu acredito que pela escolha que fizeram para patrono esse sentimento será recíproco!
Aliás, falando sobre a escolha para patrono, quero dizer que fiquei muito lisongeado quando soube que vocês haviam me escolhido para tal, confesso que essa foi uma das minhas grandes alegrias esse ano. E já que me escolheram chegou a hora de eu falar algumas coisas sobre o futuro, não que eu tenha muita experiência para dar conselhos, mas mesmo assim ai vai:
Meus queridos, como eu os quero bem, eu desejo profundamente que nos encontros que a vida proporcionar a todos vocês, que não se esqueçam daquilo que é fundamental em todas as pessoas, o amor. Pode parecer clichê e até piegas eu falar isso num discurso de formatura, mas acredito que é importante, sempre que possível nos lembrarmos disso: é o amor que faz a vida valer a pena.
Não estou falando aqui de um amor bobo, desses passageiros e frágeis ou exagerados como nos aparecem nos filmes da sessão da tarde. Falo sim daquele amor que emana de dentro de todos os seres e que dá ânimo de continuarmos vivos. Falo do amor que nos move a realizar nossos sonhos e a conquistar nossos objetivos. Do amor que nos une a uma mulher ou a um homem, a um amigo. Do amor quase sagrado por nossa família. Falo daquele amor verdadeiro, simples, belo e profundo.
Queridos, eu desejo sinceramente que todos vocês amem. Desejo que sintam um profundo amor por sua profissão, seja qual for a que escolherem seguir, assim o trabalho não será uma obrigação entediante, mas sim uma satisfação engrandecedora. Desejo que amem eternamente seus pais, assim suas ações e aquilo que eles lhes disserem não serão ordens, mas sim conselhos de quem os quer bem. Desejo que amem profundamente seus companheiros, assim o relacionamento não será uma simples satisfação de vaidades, deste modo o casal será casal de fato, cheio de compreensão, carinho e afeto. Desejo que amem profundamente o próximo, mesmo que isso possa parecer difícil muitas vezes (e é difícil mesmo), mas assim injustiças serão evitadas, assim pré-conceitos serão esquecidos e assim esse mundo cada vez mais técnico, robótico e frio se tornará mais humano, carinhoso e acolhedor. Desejo, que todos amem profundamente a si próprios, o suficiente para não se entregarem a caminhos fáceis mas que tenham finais trágicos, o suficiente para perceberem que cada um de vocês é responsável pela própria felicidade e pelas próprias escolhas, o suficiente para não entregarem suas vidas ao vazio. Desejo que vocês amem profundamente seus sonhos, o suficiente para ter coragem de levantar quando algo não dá certo e tentar denovo, o suficiente para querer sempre mais, o suficiente para alcançar coisas novas e grandes. Desejo que vocês amem profundamente a si próprios e ao mundo para perceber que essa vida é uma só, e que todos nós merecemos ser muito felizes nela.
Pode parecer sonho, discurso utópico, furado, barato. Mas é nisso que eu acredito. E desejo que vocês possam ser semeadores dessa ideia daqui pra frente. Aliás, desejo não, é uma ordem, já que me escolheram como patrono!

Meus queridos, 2010 ficará marcado para sempre em minha memória, cada um de vocês faz parte dele, muito obrigado por tudo, de coração.
Meus queridos, agora a noite é nossa e o mundo é de vocês: encham ele de amor, sonhos e felicidade.
Muito Obrigado!